sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Exibição IV


Repentina, me viro, de costas agora, ergo a buceta, alteio os quadris, a mão esperta se dirige ao ponto certo, tateia, sente o frescor quente da buceta excitada, molhada, úmida, que se movimenta por si, como animal marinho em água profunda, como um organismo que se contrai, se dilata, suga e expele, executa suas funções orgiásticas e sensuais sem comando, instintiva, que se descobre viva e potente, que predomina sobre a mente, que nunca, jamais, em nenhuma hipótese mente, quando sente entrar adentro um cacete poderoso, um pau locupletante, duro e rijo, de cabeça proeminente, de corpo venoso e pulsante, ritmo cardíaco acelerante, crescente a sem temor, justo nos seu tremores, infinito em seus espasmos, lembranças que minha mão agora esclarece, torna outras vez visíveis e sensíveis, dedos que tateiam, buscam e acham o grelo túmido e voraz, massagens circulares rodeiam cercam e conduzem os prazeres orgásticos e voluptuosos de mentes criativas, das fantasias infindáveis, das propostas indecorosas, dos pecados sem remissão, das perdões indesejados, que nunca foram pedidos, pois se sabem perdidos, perdição ardorosa e sem arrependimento, perversões divinas porque permitidas, incentivas pela dádiva de um corpo bem feito, que me atrai e me apaixona, ninfômana que pelo próprio físico se enamora, narcisa que do reflexo de si faz a razão de vida, discípula mental de Caravaggio, autora de si e de seu retrato, insatisfeita com o espelho, produz a si mesma todos os dias, masturbando-se, os olhos fechados, um universo próprio e alucinado no qual jorram fontes e cascatas de porra e de gozo santificado pelo mais puro dos prazeres permitido a todos os humanos. Toco-me, masturbo-me, grito, proclamo aos céus minha insanidade, a ele dedico minha buceta enquanto esgoto meus fluídos para fora dela.

Um comentário:

  1. As tuas palavras são uma delicia de ler...masturbeime mal acabei de ler

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